FUNCAD

 

   O Projeto Conexão Cultural é financiado pelo Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente (FUNCAD).

PROJETO CONEXÃO CULTURAL

   A partir da democratização do acesso e com a ajuda da tecnologia disponível buscam-se a integração entre educação, tecnologia e cidadania, visando a transformação social. Não apenas ensinar um determinado público a usar as mídias sociais, mas melhorar as condições de vida de uma região ou comunidade.

   As mídias sociais movem o mundo atual, imperando no conhecimento, na informação, no marketing e em muitas outras áreas, passando a ser crucial para todas as pessoas de uma forma geral, independente de idade ou classe social. Se manter informado e entretido pelas mídias passou a ser não só importante, mas também natural. E é quase impossível imaginar a vida nos dias atuais sem o uso da tecnologia para disseminação de informação e cultura, ainda que em zonas mais afetadas, os sinais e serviços ainda sejam ruins, a internet já é a realidade da maioria dos brasileiros, sendo o segundo veículo de informação mais utilizado, atrás apenas da televisão.

   Entretanto os impactos negativos que se apresenta ao uso da tecnologia é a falta de orientação e instrução, pois muitos têm o acesso e não sabem como beneficiar-se dele. A ideia do Projeto Conexão Cultural é justamente utilizar-se das mídias sociais como meio de democratização do acesso da tecnologia e a orientação ao acesso, favorecendo a redução da desigualdade social causada pelo distanciamento entre grupos que se beneficiam das tecnologias acessando e aumentando seu vocabulário epistemológico em detrimento daqueles grupos que se reduzem ao mero uso de redes sociais. Por esse motivo foi pensado em maneiras de extrair o máximo de benefícios das mídias sociais em um projeto que atendesse o público em processo de vulnerabilidade e exclusão social e que também promova vivências artísticas, pois a Arte não se faz isoladamente, ela está diretamente ligada ao contexto em que é produzida. Apesar de ser um produto de fantasia e da imaginação, a Arte não está separada da economia, política, tecnologia e dos padrões sociais que operam a sociedade. Portanto, o Projeto Conexão Cultural utilizará como ferramentas aulas de Teatro, Artes Visuais, Recreação e abordagem com a Psicóloga, unindo as tecnologias e o lúdico a fim de minimizar as vulnerabilidades a que estas crianças e adolescentes estão expostos. 

CAFÉ.COM 

   O primeiro encontro com familiares e atendidos juntos, visou promover a elaboração e ressignificação de vivências através de práticas e materiais lúdicos (argila), que permitissem adultos, crianças e adolescentes se conectarem. Foi com uma surpresa muito positiva ver o quanto as famílias compraram essa ideia. A presença de um grupo numeroso de participantes, cerca de 90 pessoas, fez com que o espaço parecesse ter encolhido. A necessidade de reconfigurar o cronograma anteriormente planejado, escrito, entregue e discutido com cada profissional envolvido, foi inegável. Mas mudar não foi ruim, porque o motivo era muito bom. 

   Assim, devido ao número expressivo de pessoas, estendeu-se mais o tempo de interação deles e desses com a argila, e deixou-se o compartilhamento verbal do que foi o encontro para si, isto é, a roda de conversa, para o final. Esse momento foi orientado pelo objeto de fala, uma técnica utilizada para a construção de Círculos de Paz orientado pelo Guia de Práticas Circulares do Centro de Justiça Restaurativa da Suffolk University. Material desenvolvido por Carolyn Boyes-Watson e Kay Prains. O objeto, que foi uma xícara com um pires ambos colados formando uma unidade, foi batizado pelo grupo como " Xícara do Café", destaca-se o trocadilho de ser "do café" e não "de café", sinalizando aqui a unicidade do valor desse objeto. Esse orientava a conversa da seguinte forma: quem tinha esse em mãos tinha o direito de fala, e quem o não, o direito da escuta. E mesmo sendo um encontro numeroso, cada qual disse em uma palavra, ou em algumas delas, que o encontro tinha sido "divertido", "legal", "interessante", "especial", além de retomar memórias de infância. Dar a oportunidade de viver com os filhos um momento do qual nunca se teve com os próprios pais. De contar ali para a criança suas memórias ao construírem juntos, avó e neto, os trisavôs do atendido.

(Texto: Psicóloga Raíza Cruz, Café.com 26/06/2019)

   

SARAU DE LUZ

 

   As atividades visaram promover, através de uma linguagem poética, a reflexão sobre a luz interior de cada sujeito. Assim, ao entrar na sala de exposição dos materiais produzido pelos atendidos, logo se ouvia suas vozes gravadas dizendo o que era luz para eles: paz, amor, fogo, calor, família, sonho... Já na sala sensorial, era como desconectar do mundo exterior para se reconectar com o seu mundo interior. Através do perfume, do "céu estrelado" construído e projetado no teto, do tapete e almofadas no chão, da reprodução de um curta metragem delicado e intenso de cinco minutinhos. Quem ali entrava perdia a noção do tempo, do espaço, se perdia e se encontrava dentro de si. E aí, dentro dessa mesma lógica se construía a Casa dos Sonhos. 

   No Sarau estive ouvindo sonhos. Sonhos ditos, desenhados ou escritos nas estrelas de papéis, delicadamente recortadas pelos adolescentes. Entregues nas mãos da psicóloga, que guardava cada uma, que anteriormente estava numa cesta simples, e já com o sonho ia para uma cesta enfeitada. Em troca, cada participante ganhava um doce, um pãozinho recheado com creme, que tem o mesmo nome: sonho. 

   As conexões feitas nessa casinha foram tão especiais, que rendiam abraços, e algumas vezes olhos marejados. Um sorriso que demonstrava gratidão, quando lhe era respondido que não era preciso escrever na estrela o seu sonho, depois de já tê-lo contado verbalmente, porque de fato ele já estava ali. Ali, não só na estrela, mas para cada um se ouvir, e saborear esse momento doce junto aos seus pensamentos e sentimentos, outrora adormecidos. Um ciclo delicadamente concluído com a bela apresentação das crianças e adolescentes. Com suas danças, seus corpos em movimento envoltos pelo desejo de entregar o melhor de sim, de fazer desse momento, diversão. De expressar não só alegria, mas também tristeza com o caminhar do enredo da peça. Porque a vida não é só uma emoção, não é só emoções fáceis de sentir. E a luz, ao final entregue pelos atendidos a suas famílias, em formato de uma pequena lanterna, é o que simbolicamente impulsiona a certeza enquanto instituição de que investir no caminho do afeto e das artes é uma bela escolha. 

(Texto: Psicóloga Raíza Cruz, Sarau de Luz 08/06/2019)

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